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terça-feira, 25 de novembro de 2008

Poetisa, Rosane Silveira!



Dor

Se eu fosse derramar no papel
toda dor sangrenta que aflige minh'alma
deixaria aqui todas as minhas lágrimas
todos os meus sentimentos
todas as minhas sensações e emoções
e tudo o que sou
sairia daqui como um ser inerte
como uma casca,
como um nada
viveria por ai comendo
como louca o pó da estrada
sairia em desparada em busca de
algo que nem sei o quê
ficaria alucinada
flertaria com os manequins
falaria de amor aos postes enamorada
ah meu querido se te falasse
da dor que ora me aflige
seria como se tivesse sendo
açoitada pelo pior algoz
deixaria até me matar
se fosse pra estancar de mim
esse martírio de sentir-me assim
me refiz muitas vezes...
tentei reerguer meu corpo padecido
mas sucumbi-me tantas outras...
sinto-me cansada, tal como flor
despedaçada
e hoje derramo aqui o resto de mim
ficando em mim...o nada.

Rosane Silveira

Labirintos de mim

Vasculhei-me tantas vezes
fiz inúmeras e incontáveis
buscas por mim
que se perdeu de ti
na curva da vida que te levou
deixando o martírio de não mais tê-lo
perdi-me de mim
de ti...da vida
perdi-me
deixei-me então levar pela ilusão
de viver sem ti
eis que apenas sobrevivo
paradigmas a todo instante
são colocados diante de mim
me pondo em provas constantes
da solidão que ora me atormenta
e atordoa
falta-me ar...falta-me
e não sei guiar-me na escuridão
que agora se faz presente
vou caminhando, triste e vacilante
pelos labirintos perdidos de mim.

Rosane Silveira



Estiagem

Paragem de chuva, de vento e de frio
tempo de estiagem dentro de minha alma
coração acalentado pelo calor dos teus afagos

Tempo de bonança, bons frutos
e esperança
deixe-me ficar aqui nesse lugar

Aqui, em você, eu reencontrei minha paz
afeto, ternura, carinho, coisas que nem me lembrava mais
me acalmando, fazendo cessar meus receios, minhas inseguranças

Uma vontade de fazer o tempo parar
de continuar assim nesse aconchego
sentir essa sensação gostosa que nos envolve

Nessa estiagem de tempos de dor
onde só o que vigora é o amor
trazendo pra nossas vidas, luz e calor

Rosane Silveira / Ricardo G Denunes


Fim de caso

Estabeleceu-se então
uma tristeza profunda
entre aqueles amantes
que dizem-se adeus
meio que sem querer
fechou-se o ciclo
encerrou-se os sonhos
ficaram os dois ali
inertes parados
estagnados olhando um
a dor do outro
e pensando se tudo não
poderia ter sido evitado
ficou ali...jogado no chão da tristeza
e nas paredes da imcompreensão
todo amor derramado
depois que perfurado foi o coração.

Rosane Silveira


Passos incertos

Os passos que dou vacilante em mim mesma
em minhas certezas, que não são mais certezas
e os meus planos
que deixaram de ser importantes
depois de tua chegada
Os descaminhos que me
levavam pra longe de ti
e pelas bifurcações
da vida fazia escolhas
erradas pelo medo
de acertar antes da tua chegada
fiz-me pecadora e bandida
pra que o teu amor me santificasse
me fiz cruel e mordaz comigo mesmo
pra que tu ao chegar me acalentasse
como se acalenta um bebê
fiz-me tal como sou uma dependente de mim
quando não estais aqui
e hoje sei que tudo o que faltava pra me fazer
feliz era tua presença doce e deleitosa de amor
em mim.


Rosane Silveira


Poema de um amor só

(solidão alquímica)

Que o meu amor te surpreenda
nessa manhã que amanheceu triste
sem tua presença
e teus olhos vislumbrem o meu eu
como sou, mesmo a distancia
que tua boca fale palavras de amor baixinho
ao vento
e teus olhos fitem os meus
mesmo em teus sonhos
e por fim, tua mão pouse sobre a minha
nessa angustiante solidão que me mata
cada vez que penso em ti.

Rosane Silveira

Sou ou não sou

Sou ou não sou
não tenho essa de meio termo
de meio tempo
de estiagem, de aparagem
ou sou tempestade ou céu azul
ou sou maresia ou ventania
ou sou mar calmo ou mar bravio
sou densidade e intensidade
leveza e pureza
ou um pesado fardo e profana
não tenho meio termo nem sigo padrões
faço eu mesma minhas próprias previsões.
Sou tudo ou não sou nada
sou poeira ou pó da estrada
sou...sou densa...quente...bravia
perdida...felina...da vida sou amor.

Rosane Silveira



Incansável Coração

És um guerreiro,
um nobre cavalheiro
que fortemente se prepara
pra mais uma batalha, caro coração

Estais em vias de entrar em uma guerra
mais uma batalha pela felicidade
veste-te com as armaduras da brandura
e da amabilidade

Carrega junto contigo
todo amor que tiver, será tua arma
vez ou outra use o escudo da autodefesa
mas só bem de vez em quando

Vá pra frente de batalha, abra-te bem
e deixe o oponente - amor entrar
e travar contigo uma guerra de emoções
nem se tente camuflar

caso saia machucado
fique só um pouco de lado,
só o tempo de sarar
pra logo depois uma nova guerra
com mais força você começar.

Rosane Silveira

Nosso amor

Que esse amor fique entre tu e eu
não precisamos falar a toda gente
todo sentimento já está presente
no coração teu e meu

Palavras de carinho são ditas
bem de mansinho
preocupados em não machucar os corações
já tão machucados pelos descaminhos da vida imposto

Continuaremos então... Em segredo... Amantes...
Só eu e você, juntinhos, nesse amor
Só nosso, reservado, confidencial
Enquanto a vida corre lá fora...

Temos o motivo e a causa para justificar
Esse nosso delito amoroso, deleitoso, sigiloso
Sem testemunhas, vivido somente entre nós
Que faz o tempo parar a cada encontro furtivo arranjado.

Rosane Silveira/Ricardo G. Denunes

2 Comentários:

  • AMIGA QUERIDA COM QUE HONRA QUE VENHO ATE AQUI E AGRADEÇO O TEU AFAGO EM ME PRESTIGIAR EM TÃO DILETO JORNAL...TE SOU GRATA AMIGA QUERIDA POR TEU AMOR A POESIA E A NÓS POETAS
    TODO AMOR SEJA DERRAMADO SOBRE TUA VIDA E TODA PAZ A VC
    BEIJOS TERNOS NA ALMA
    PAZ E LUZ EM TEU CAMINHAR

    Por Blogger VIDA EM POEMAS, às 26 de novembro de 2008 16:54  

  • Falar de Rosane não é fácil não, tem uma sensibilidade a flor da pele, um alma linda e tem muita proteção divina. No seu caminho vejo muitas rosas(frutos que serão colhidos...calmamente). Linda Amiga, sempre presente.
    Parábens, também para Marta Peres, por presta esta homenagem a maravilhosa poetisa Rosane Silveira.
    Seu caminho é de rosas...Crê em minhas palavras...
    abraços poéticos
    Graciela da Cunha

    Por Blogger Meus Riscos, às 26 de novembro de 2008 17:34  

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