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sábado, 3 de maio de 2008

Novos Talentos! Sérgio Idelfonso


Sérgio Idelfonso, você vem mostrando que é um homem de pensamento e de letras, sensível merecedor de pompas, poeta nato, demonstra nos textos o brilho dos espíritos sensíveis, admirável, poético!



Por entre meus dedos

Por entre meus dedos deixei escorrer,

As últimas gotas do perfume que me deste,

Deixando assim, como que meu sonho desfalecer,

Em novamente ter de volta tudo o que me ofereceste.



Tu que mostraste-me revelações escusas,

Proporcionara-me deleites inimagináveis,

Aromas insondáveis em noites escuras,

Perversões santas, quase que beatificáveis.



Momentos de louca lucidez,

Instantes de puro devaneio,

Dera-me a noção real insensatez,

Canduras, delicias, malícias , que em meu ego permeio.



Dádiva suprema,

Sublime poema,

Sutil, como uma trema,

Ditosa,na paixão que envenena.



Deixei escorrer o perfume,

Ele não mais me pertencia,

Amor sublime elevado ao cume,

Diante de uma fragrância que desejo reverencia.



A utopia eterna,

O real contexto de um complexo mexo,

A intensa dor fraterna,

De tornar o sonho irreal reverso.



Deixei escorrer o aroma que sempre será teu,

Porque o gosto de amor presente, latente, pungente,

Ele nunca foi meu,

Porque sonho em tê-la, mesmo que Seja renitente,



Porque seus mistérios desvendei,

Os teus sonhos sonhei,

Tuas dores senti,

E pela alma que há em ti...

Sempre te amarei.





Sérgio Ildefonso Nov/2002



UMA PRECE A DEUS

Cara há muito perdi as esperanças em ti,

Pra te ser sincero, há muito perdi as esperanças em qualquer coisa,

Estou cansado...Vejo-me no espelho e me pergunto: o que sobrou de mim?

Cadê aquele garoto inteligente?

Onde foi parar tudo o que queria para minha vida?

Porquê a destruo como se a não quisesse?

Acaso seria eu condenado por algo que não cometi?
Seria tu tão injusto a ponto de designar tanto sofrimento, por uma brincadeira de momento?

Foi por inocência que a conheci,

Por ela, me encontrei, não mais resisti,

Encontrei nela tudo que sempre sonhei,

Com ela tudo ficou mais simples,

Com ela cheguei a lugares que jamais sonhei,

Por ela pago o preço de minha liberdade,

A ela devo eterna lealdade,

A ela entreguei meu destino,

Perdi a ciência dos meus passos, devaneio,

Viajo em estradas escuras, clareadas por seu brilho ofuscante,

Que felicidade...Percorrer estradas brancas como a neve,

Estradas curtas, construídas dentro de um prato quente,

O deslizar da gilete sobre teu corpo, me trás a fissura de tê-la, junto ao meu sangue,

E nesse curto caminho atingir meu cérebro e...

Estourar-me da alegria de ser feliz, ao menos por alguns momentos,

Momentos que me levam da angustiosa e traumática vidinha comum,

E num passe de mágica ser o super-homem,

Eu te quero como no primeiro dia,

Mas hoje, quanto mais a tenho... Mais a quero,

Tudo de você é muito pouco para mim,

Estou deitado sobre ti nesse momento,

O sangue caído de minhas veias molha a cama,

Quando você se vai, vem a mais profunda depressão,

O desejo latente de abreviar a desgraça em que transformei meus dias,

Colocar-te toda em uma seringa, e morrer ao teu lado,

Dentro de um revolver arrebentar com o que deixaste sobrar de meu cérebro,

Peço-te ajuda meu Deus,

Abrevia esse sofrimento,

Eu não quero mais ver escorrer as lágrimas de minha mãe por ver-me assim,

Eu nunca acreditei muito a teu respeito,

Mas é o que me resta nesse momento,



Perdoa-me Deus, por me tornar um filho maldito,

Eu não sei rezar,

Mas talvez sinta a minha dor...

Tu sabes que sou sincero,

Tu vês quantas vezes jogá-la no vazo,

Mas no dia seguinte novamente ir a seu encontro,

Quantos anos Pai, jogados em uma latrina,

Quantos amigos que já se foram...

Quisera eu ter ido no lugar deles,

Meu irmão pai...ele era um cara bacana e tu o levaste,

Porquê não a mim, esse pedaço de um traste,

Rompa o céu Senhor,

Estenda tua mão, e retire essa seringa carregada do branco maldito,

Afasta para sempre, os pratos, as giletes, os canudos, as carreiras,

Começo a ver a figura de quem eu era no fim da carreira,

Estou cheirando minha personalidade,

E no pouco que ainda resta-me de dignidade,

Clamo a você Deus,

Devolva-me a minha vida,

Antes que eu a perca.

Amem.



Sérgio Ildefonso maio/1995

Encontrei esse texto recentemente, um ano após o ter escrito dava entrada na casa “Desafio Jovem” de Brasília, e neste mesmo dia: 22 de julho de 1996, fora a ultima vez que usei cocaína, depois de 10 anos de uso contínuo.
De maneira nenhuma faço apologia as drogas com a divulgação desse trabalho hoje, mas pretendo mostrar, que do sofrimento a luz Divina Adail sobre mim, nunca mais a usei e hoje faz parte de um passado que não me envergonho, pois com minha experiência e sofrimento, hoje posso ajudar aqueles que ainda sofrem. Hoje convivo diretamente com a violência, e conseqüentemente com as drogas, mas do lado da justiça.
As drogas não me fizeram mais inteligente, pelo contrário, me afetaram e muito em minha capacidade de raciocínio, roubaram-me oportunidades, fiz muita gente sofrer, justamente pessoas as quais deveria amar, mas não sabia o que era amor.
O mais importante disso tudo, foi que conheci a Deus, e categoricamente posso afirmar, que foram seis anos pulando de clínica em clínica, mas somente quando me abri a Ele, esvaziei meu ego da pseudo-intelectualidade, fui liberto.



Final

Desculpe se choquei alguém, mas era essa a intenção, existe saída e eu encontrei, então qualquer um pode encontrar também.






EU DEDICO ESSE TEXTO A ALMA DE LUIZ EDUARDO MEU AMADO IRMÃO, QUE AONDE QUER QUE ESTEJA, SABE QUE APRENDI A AMÁ-LO, E COMO ELE TANTO QUERIA, ME TORNEI UM CARA LIMPO.

VALEU MANO!!!!

SAUDADES..





Dia internacional da Não- violência contra a mulher – 25/11

OS JARDINS DO INFERNO

Sentada...
Cansada...
Despida...
Caída...
Em minha volta só vislumbro a dor
Só enxergo o desespero e a opressão
E as gotas do sangue... Não o sangue de minhas feridas e hematomas
Mas a fenda profunda aberta em meus seios
Uma lacuna que separa o ontem do agora
A visão distorcida de mim mesma que proporciono aos que agora me rodeiam
Coitada!
Vadia!
Safada!
O que ouço meu Deus... Eu não fiz por merecer
E mesmo se fizesse não me é digno morrer
Mas na verdade nem mesma eu me acho digna de continuar a viver
As lágrimas que estampam os rostos de meus filhos
Testemunhas oculares do infortúnio
Cúmplices inocentes do meu martírio
Um martírio que começou aos pés de Deus
Numa tarde linda em que a esperança era a figura central de minha tela
O amor fraternal
O amor material
O amor incondicional
As juras que juro terem sido sinceras
As carícias de um jardim florido que antecedia ao inferno
Um inferno que me fora apresentado por etapas
Foram ofensas... E me calei
Foram palavras... E me calei
Foram gritos... E me calei
Foram socos... E me calei
Humilhada desde o final das guirlandas e da grinalda
Que me fez bela e radiante
Um retrato oposto do que fui dali em diante
E ainda insisti em dizer sim
E ainda consenti em procurar em mim erros que não existiam
De me fazer vilã, quando na verdade meu buquê ruía
A obscenidade de cada uma das traições que consentia
A vergonha explícita de perdoar quando mais me feria
A devoção eterna a quem nem um beijo merecia
Tapas dados
Mentiras contadas
E eu... Calada...
Um pedaço de carne morta para ver em mim “a eleita de seus prazeres”
Prazeres que me ofendiam
Prazeres que me dilapidavam o que ainda restava de moral
Que distorciam tudo o que pensava sobre o prazer
Um prazer dele
Um gozo dele
Uma possessão dele
Um objeto d’ele
Uma maldição minha
E eu me calei
Calei-me diante da vergonha
Calei-me diante do preconceito
Calei-me diante do ódio a mim mesma
Calei-me por medo
Por opção
Por opressão
E agora num canto de quarto
Luzes de polícia
Sirenes de ambulância
Caída... Como estão caídos os meus sonhos
Caída... Como caídos foram meus desejos
Caída... Como foram cada um de meus dias
Caída... Como um pedaço de antes
Um corpo que suspira
Como suspirou por amor
Como ansiou por caricias
Uma alma que clamou por atenção
Que desistiu da traição
Que desistiu de amar
Que desistiu da vida
Inconsciente e incoerente
E as portas dos jardins do inferno
Ainda está lá o meu corpo
Morta...
Pois não me calei
E o tiro me acertou nos seios
Os mesmos seios que me juraram afeto
Os mesmos seios que alimentei aos nossos frutos
Os mesmos seios que protegiam meu coração das feridas
Não protegeram mais
Pois eu não mais me calei...
Mas já era tarde demais...
Consenti com a dor... E fui cúmplice de minha própria morte...

Sérgio Ildefonso 23.11.2006
Obra registrada, mas de domínio público.





ONDE ESTÁ O RESTO DE MIM*



São-me negras as noites, bem como OS são as minhas vestes

É quando o Sol arde sobre minha pele, mas tudo continua envolto em ébano

Deito-me e acordo em um quadro cuja única presença é a lua

Que cintila de maneira brilhante... Mas também chora

A lua eterna... As noites eternas

Os sorrisos que se escondem

As portas que se fecham

Os abismos que se abrem

As vozes que se calam

As certezas tão fulgazes

A Paz tão esquecida

As mãos que me afagaram um dia... Açoitam-me

As palavras que acalantavam... Ferem-me

E uma espada, afiada pelo próprio demônio é encravada em minhas costas

Talvez porque o próprio Deus, não conseguiu me olhar de frente

As velas acesas e as Palmas insuportáveis são testemunhas do meu ultimo ato

Minha ultima cena

Minha ultima estrofe

E até mesmo o mar me traiu

Até mesmo o vento me enganou

E até as rosas... Até as rosas me esconderam seu perfume

Hoje estou sem teto

Sem roupas

Sem pão

E no espelho, o infeliz companheiro no santuário de bêbados... Vejo-me

Não me reconheço mais

As cicatrizes fendem o meu rosto de uma ponta a outra

Minhas pernas não se mechem mais

Minha razão, deixou de ter razão há tempos

E há tempos que não sinto o doce gosto DA afeição

Da ternura

Do carinho

Minha mente se apodrece na mesma proporção de meus sonhos

Tolo que sou...

Quem foi que disse que eu teria o direito de sonhar...

Sérgio Ildefonso 14.11.2006

Copyright by Sérgio Ildefonso 2006 © Todos OS Direitos Reservados



* A frase que dá título a esse texto, for a pronunciada pelo então ator norte-Americano Ronald Reagan no filme “Kings Row” de Sam Wood (que no Brasil recebeu o título de “Em cada coração um pecado”) de 1942”.



MELODIA DOS SONHOS


A sinto no pão que me alimenta
Nos pesadelos que a minha alma tormenta
Nas pedras que em mim tanto atiram
Nos anseios frenéticos que a cada segundo se acirram
Na melodia dos sonhos que sonhei um dia
No inverno de mim mesmo ao perder o que mais queria
Sonhei cada um dos teus passos
Planejei para mim cada um de seus abraços
Penetrei um pouco a cada dia no interior do teu universo
Brinquei com tua alma e das suas palavras saíram os meus versos
Te fiz minha
Te fiz nada
Te fiz mal
Te amei com a loucura insana de um recluso
Te vesti com pedaços de futuro dos quais nem mesmo eu uso
Sentimental, mas de mim mesmo
Carinho, ternura e afeto feitos com a mão e a esmo
Te amei tanto que esqueci de te amar
Esquartejei cada um dos teus movimentos
“pobre homem que sou”
Me fiz de volta ao pó de onde vim
E te perdi
E se a perdi fora porque nunca a tinha tido antes
Nos teus sonhos a coloquei como uma singela coadjuvante
E se te encontro a cada dia
E se me matei uma vez por dia
E no final do dia ainda sobravam alguns raios de sol
Fora por favor do sol
Que sempre esteve dentro de mim
Esperando-me para depois de uma vida, me aquecesse...enfim.

Sérgio Ildefonso Jun/2005



CAMPOS DE TRIGO




Findas as águas,
Chegado o inverno,
O que outrora fora verde,
Agora se desseca,
O que já fora vida,
Agora é morte,
O que refletia a luz,
Agora a absorve,
Noites geladas,
Em torno da lua, uma auréola dourada,
O que fora felicidade,
Rompeu-se com os dias, com a idade,
Terra seca, dilacerada,
Torrões fecundos,
Tórridos como a queimada,
O cerrado chora,
Ressequido até na aurora,
Triste, por não ser que era outrora,
Uma coisa minha vista revigora,
Imensos mares,
Imensas ondas,
Ondas douradas e cintilantes,
Um valioso ouro,
Campos de trigo,
Nada é mais radiante,
O cheiro do que será o pão,
O talo granado dos biscoitos de Deus,
O perfume da natureza,
Ele só vem com o frio,
Ele só brota quando irrigado,
Ele cresce e não morre se bem tratado,
E me sacia a fome,
Sou um campo de trigo,
Nasci de onde não viam vida,
Contradisse as possibilidades,
Brotei em meio a tormentos,
E hoje nas mãos do Senhor, me faço de alimento.

Sérgio Ildefonso Maio/2003


Lindo o pensamento de Sérgio Idelfonso, nos leva a voar nas asas da imaginação quando estamos lendo seus versos, bebendo suas palavras.
Poeta ímpar que vem enriquecendo a literatura brasileira. Nos leva a apreciar a boa literatura.Todos as pessoas que têm oportunidade de ler seus textos agradam e se impressionam com a beleza dos versos.

São palavras da amiga em comum Flor de Lótus!

Sérgio:

Amado amigo: Agradeço, imensamente, por compatilhar suas belas poesias!





SÉRGIO ILDEFONSO

diante da suposta prepotência vejo toda a minha impotência, nessa fraqueza me torno forte

A atenção que tanto necessito,

A direção que tanto buscava

A orientação que me norteava

Na necessária solidão em que me encontro, me encontro

Quando descubro que tudo o que precisava saber a meu respeito não me diz respeito

Quando sento diante do mar e vejo que depois que cruzar o horizonte, haverá uma outra linha do horizonte

Que a hipocrisia que me cercava era tão necessária

Que as mentiras que acreditei eram a mais pura verdade

Que as verdades científicas, eram tão empíricas quanto as miragens do deserto

Que os desertos me são parte

Que os oceanos são o acaso

Que meus casos fúteis foram os mais sinceros romances

Que ainda restam rosas no jardim

Que hoje me apaixonaria por você, porque simplesmente preciso me apaixonar antes que o dia termine

E ele nunca termina

Que me enganei em muitas coisas em minha vida, com exceção das minhas certezas

E quão falhas eram minhas certezas

Me diga teu nome

Me de teu telefone

Deixe-me encontra-la essa noite

Permita-me abandonar os versos

Preencha meus vazios com o nada, desde que seja preenchido

Minha personagem está só

Aprender a conviver com isso vai me ensinar que não sou mais um menino

Aprender que as verdades que tanto busquei em livros sempre estiveram dentro de mim mesmo...

E isso me tornou um homem.

Sérgio Ildefonso Abr/2004-04-24

Copyright by Sérgio Ildefonso 2004 © Todos os Direitos Reservados






SINTROPIA

“Quanto mais examino o universo e estudo os detalhes de sua arquitetura, tanto mais evidências encontro de que o universo, de alguma maneira, deve Ter sabido que estávamos a caminho”

Freeman Dyson in “Disturbing Universe”




É ASSIM QUE EU SEI AMAR!







Gosto de te pegar no colo,

Cantar pra você, fazer um solo,

Pegar no telefone e não ver a hora passar,

Te curtir, te namorar,

Tirar um sarro,

Transar no carro,

Andar de mãos dadas,

Duas almas destinadas,

Dormir em tua cama,

Sair cedo de fininho,

Não sem antes te fazer um gesto de carinho,

De dar um presente quando me der na cabeça,

E me esquecer do teu aniversário,

Desmanchar teu penteado,

Ver no peito uma dorzinha pranteada,

Quando passa da hora do teu telefonema,

Ouvir a paixão em fonemas,

Pegar no pé,

Sentir ciúme,

Ficar puto, quando se atrasa,

Me derreter quando me acorda,

Sentir o corpo em brasa,

Assistir um filme contigo,

Te mandar uma mensagem de madrugada,

Sentir tua falta,

Te forrar de prazer,

Elogiar-te ao dizer:

Que és linda,

Que teu cheiro é meu ar,

O quão gostoso e contigo pecar,

Olhar teus olhos e eles filmar,

Acordar pelas manhãs, e te ver no pensamento,

Acordar ao teu lado e recomeçar,

Te dar um beijo,

Te ver, quando não te vejo,

Ser imperfeito,

Ser insistente,

Incoerente,

Doido,

Alucinado,

Embriagado,

No vinho tinto e seco que bebes ao meu lado,

Olhar teus olhos, e ver tua alma,

Passarmos um dia inteiro juntos,

Brigar contigo,

Terminar contigo,

Voltar contigo,

Viver sem sentido,

Escutar suas histórias,

Mapear meus planos,

Passados, desenganos,

Dividir a última fruta,

Morder pedaços de sua boca,

Deixar-te louca,

Transar contigo,

Fazer amor contigo,

Olhar desertos e ver o mar,

Me desculpe,

Mas é assim que eu sei te amar.



Sérgio Ildefonso maio/2003




SINTROPIA




Universo pleno em constante movimento de expansão
Que caminha frente mesmo ao infinito
Que ouve o som singelo da canção
Diante de mim, mesmo quando grito

Não quero mais em mesmo descasar

Mesmo em busca do equilíbrio

O equilíbrio pleno minha alma a mortificar

Sintropia plena da libido

Expressei-me com as letras que sabia

Calendário regressivo e decadente

Vi em ti tudo o que eu queria

Mesmo estando meu destino descontente

Vou guardar para mim os sonhos que trazia

Deitar sozinho em pleno desconforto

Trazer de volta tudo o que eu queria

Buscar teu peito e nele meu conforto

Nas páginas de cada livro que leio

As linhas desenham o teu próprio nome

Decidi amar a tantos quanto odeio

Pois teu amor sacia minha fome

A solidão que tanto desprezava

Hoje a encaro aliada

A saudade que senti e sinto aumentava

E a rejeição considero adiada

Na entropia encalhei meus sentimentos

Por isso em movimentos de amor eu corro

Esperarei por ti e nosso momento

Pois descobri que sem você eu morro.



Sérgio Ildefonso Abr/2004-04-27








O MEIO DO MAR - Versão Orkut

Em meio ao intrépido mar
Sujeito a tormentas e calmarias no meio do mar
A sede me consumia de maneira covarde no meio do mar
As braçadas cansadas, solitárias e em vão, que travei no meio do mar
O vazio assombroso que saltou de dentro de mim e inundou o meio do mar
O temor cego de se chegar ao meio do mar
Quando o passado e o futuro se medem com a mesma régua... No meio do mar
Voltar tem a mesma dimensão em prosseguir para além do meio do mar
E vejo as luzes que não às estrelas que via no meio do mar
E a areia da praia que agora vejo não queima e nem corta como fazia antes de eu chegar ao meio do mar
Olho para trás e ainda vejo o meio do mar
Agradeço a Deus por não ter sido tragado pelo faminto oceano - ainda no meio do mar
Vigoroso e viril abraço a terra e olho para o meio do mar
Fui deus, fui homem, fui eu... No dia em que venci o meio do mar...


Sérgio Ildefonso 19/12/2006.



O SÉTIMO DIA DA CRIAÇÃO

A ternura presa e acuada em tua garganta se aflora
Urrando palavras de amor quanto eu te amo
Gemidos ensandecidos pela razão imprópria à loucura quanto te beijo
A saudade latente que rompe e rasga minha alma quando não a vejo
O sabor sereno de teu suor aspergido sobre o meu corpo
A impropriedade própria de dois amantes
A silhueta viril de dois corpos
A melodia assombrosa da fricção
A erupção e a vazão que acorrenta e arrebenta a tudo o que encontra
O amor silencioso e sincero que faz chorar a própria lua
A ganância benéfica que me faz proprietário dos teus sonhos
Que me torna o senhor de cada um de teus passos
E se meus passos já não são dados com os meus pés
Percebo que agora caminho ao teu lado
Meio que escorado
Meio que escorando
Meio que alado
Meio que voando
Pairando sobre os ares da magia poética que pintaram um dia
A beleza erudita e maldita esculpida antes mesmo da criação
A união perfeita entre a noite e o dia
O casamento predito por Deus, quando narrou que não era bom ser só
E de minhas entranhas – logo abaixo do coração
Mutilou o meu corpo e por esse corpo me perdi em teu corpo
Em teu sorriso
Em tua ingênua malícia
E em tua alma me encontrei
Vacante e perdido viajeiro do tempo
Mensageiro da dor
Mutilado dos sonhos
Cancioneiro das inverdades sobre mim e ditas por mim mesmo
Caminhei ao teu encontro a cada instante em que te sentia
E te senti em tantos lugares
E te achei em outros corpos
E te beijei em outras bocas
E na infelicidade das buscas eu me matava
Arranhava-me com a fina navalha que corta a carne
E que separa a vida da morte
Quando eu me completava eu me dividia
Pois faltou algo nos seis dias
Deus esquecera-se de você
E o mundo não era bom
Pois me faltava Denísia
Pois me faltava o tudo
Então em preces de um crente
Em lamentos dialéticos
Em sofrimentos poéticos
Deus criou você e a colocou ao meu lado
E viu que era bom.
Parabéns Meu Amor
Parabéns Denísia
Sérgio 14.12.2006





Uma rosa e uma saudade...


Engraçado esse destino,
Que brinca com a gente,
De maneira inocente,
Ingênuo como um menino.


Engraçada das pessoas a sina,
Da alegria à tristeza,
Em uma sutil destreza,
Dá-nos uma peça, que ensina.


Engraçada essa vida,
De muitas formas,
As vezes colorida,
Quadros, molda, desenha e contorna.


Desgraçada essa alma,
Condenada antes de existir,
Sonhos que cabem em uma palma,
Simplesmente deixam de existir.


Benditos são os dias,
Que nos carregam em labor ,
Almas arredias,
Da terna cor, ao temível horror.


Pobres são os desertos,
Encontramos um oásis em meio a ele,
São miragens,
Pelas dores recobertos.


Verdadeiras são as ilusões,
Que aliviam o poeta em prosa,
Elas não envelhecem, não tem idade,
Terei sempre em minhas mãos,
Uma rosa e uma saudade...


Sérgio Ildefonso
Copyright by Sérgio Ildefonso © – Todos os Direitos Reservados







SENHORA



Senhora que permeia a cada um dos meus desejos

Senhora que reina impávida sobre cada um dos meus destinos

Senhora amante

Senhora amada

Senhora louca, capaz de alucinar minha própria razão

Senhora mística – rosa dos ventos – que ainda insiste em me mostrar uma direção

Senhora prazer, que me açoita com frases de ternura

Senhora – dama vadia – meretriz das minhas discretas luxúrias

Senhora mãe

Senhora filha

Senhora que pariu ao próprio Deus

Senhora mistério, que se envolve em busca dos teus básicos instintos

Senhora natureza – mãe “Gaia” de cada um dos rebentos deste solo

Senhora lágrimas que se rompe em soluços quando os filhos teus te ferem

Senhora noite

Senhora dia

Senhora amor, cujas noites de sono foram roubadas por quem não as merecia

Senhora paixão, que defendeu a filisteus e fariseus mesmo quando de morte a feriam

Senhora ilusão, que ousou em cometer o pecado do desejo

Senhora redenção que se postou em um trono eterno ao lado de teu filho

Senhora lua

Senhora sol

Senhora esperança que insiste em chorar, mesmo quando é de alegria...

Sérgio Ildefonso 13.12.2006

Copyright by Sérgio Ildefonso © Todos os Direitos Reservados





“No instante que nascemos começamos a morrer”

Nietzsche









O ANIVERSÁRIO DA MORTE







Percepções rudimentares que pairam sobre minha mente

Os desígnios e caminhos do “ser”...um incansável descontente

As alegrias frívolas de alguém que a si mesmo mente

E se vangloria em seu sorriso por ser alguém doente



Incansável em busca de prazeres temporários

Roubados pelo furor do tempo temerário

Idas e vindas ao inferno marcadas em um calendário

Mata-se e morre-se com os princípios de um missionário



Utópicos sonhadores que se escondem em poesias

Acalentar-se com a dor e esperam as teorias

Contentar-se com o que és, no entanto que rias

Esconder-se nas noites e ter medo dos dias



A febre que mata

A miséria que urge

A fome saciada em uma lata

A morte que surge



O temor de algo que nos é impossível fugir

Falar as verdades nos momentos em que deveríamos mentir

Desistir de ir embora no momento exato de partir

Frustrar a vida e comemorar a hora de ir



Ascendermos velas por dias que não veremos mais

Comer pedaços de bolo recheados de nós mesmos

Fatias distribuídas a quem até o nome esquecemos

Comemorar o aniversário da morte...e sonhar em encontrar a paz...



Sérgio Ildefonso Set/2004



Copyright by Sérgio Ildefonso 2004 © Todos os Direitos Reservados



"Sinto tanto por não ter sentido, o mesmo tanto por antes não ter descoberto... Que se eu não a amasse de tal maneira... eu seria incapaz de viver, pois sequer todo o ar do mundo supriria a necessidade que tenho de te amar"
Sérgio Ildefonso


CAPÍTULO FINAL

Sinto a tua pele macia se deslizar sobre mim
E quando meu peito é tomado por algo sobrenatural
Uma força intensa – densa como o cosmos
Santa, como nossa rota
Aprazem-me os prazeres remotos e distantes
Os cânticos góticos e dissonantes
Uma ressonância perfeita em meu corpo de cada um dos teus acenos
E me acena com o brilho de teu sorriso
E me acende com o encanto de teus lábios
E me inflama com o pecado guardado em teu beijo
Teus cabelos negros e lisos
Teu presente sincero em uma noite de natal
Uma ciranda de quatro mãos enquanto soa o vento
Uma cantiga de ninar quando nos amamos sob o firmamento
Quando estendo minhas mãos e a levo de encontro ao sol
O sol que temperou e aqueceu o que chamaram de loucura
É o mesmo sol que brinda em nossos olhos quando nos deparamos no amanhecer
Quando envelhecemos no tempo
Quando nos esquecemos do tempo
Quando nos aproximamos pelo tempo
Quando não há mais tempo
Pois tudo o que houvera, nada significa diante do que virá amanhã
Sabedores que depois de amanhã nos amaremos ainda mais
Que nos esqueceremos das verdades ditas há dois segundos atrás
Que sorriremos de nossas mágoas dois dias depois
Que passearemos ao largo do oceano
Que fomos vítimas do destino e de seu engano
Que nos apaixonamos à duas vidas atrás
Que nos matamos no passado
Quando choramos apartados
Os fardos pesados que por vida nos fora consignado carregar
Quando deleitamos finalmente na possibilidade de o destino permitir a nós – nos amar...

Sérgio Ildefonso 05.12.2006
Copyright by Sérgio Ildefonso 2006 © – Todos os Direitos Reservados







INSENSATEZ


Posso mesmo que de longe sentir o gosto amargo de tuas lágrimas

Posso mesmo agora ouvir teus soluços

Posso tocar em tua fragilidade

Suspirar a cada um de teus suspiros, mas incapaz me torno de arrazoar tua dor

Por acaso como Deus, tu não abriste o oceano de minha vida,

Como Cristo, dividiu minha historia

Como Icaro, despertou em mim o sonho de voar

Despejei em tua alma os meus segredos

Afrontei a anjos e também a demônios

Coloquei a mim mesmo na frente da dor da ignorância

Não sentira o quanto me é cara

O quanto me é tudo

O quanto deixei de ser nada

O quanto me perdi em cada gozo teu

Que foram os meus prazeres

Por certo não te confidenciaste com a lua

Por certo não ouviste as vozes do sol

Não te contentaras com o significado do arco-íris

Que de todas as tuas cores não te convenceu que te amo



Sérgio Ildefonso 28.11.2006

Copyright by Sérgio Ildefonso 2006 © Todos os Direitos Reservados




Braseiro



Um braseiro formado em curvas perfeitas

Uma imensa ode entregue à eleita

Mandatária de cada um dos meus desejos

Meretriz digna de cada um de meus beijos



Os teus cabelos negros e lisos teimam em esconder-te a face

De pouco importa, pois ainda assim ouço tuas frases

E quando vejo teu rosto e o nomeio de “Prazer”

Emoções sacras que tive, tenho e ainda vou ter



Um pedaço de luz que se escorre de teu ventre

Paredes que me tonteiam e pedem para que eu entre

E no meio dos gemidos DA loucura, me abraso inteiro no calor de tua ternura

A agonia latente impressa em teu corpo... Em tua textura



E me crucifico no crucifixo do teu corpo

Estendido e com OS braços em teus braços me faço louco

Segundos que são eternos,

E a eternidade que ainda nos é pouco



A possuo como possuem OS espectros

Sintonia de movimentos em cada um de nossos aspectos

O suor quente do meu corpo sacia-te a sede

E tudo que for a cinzento a nossa Volta, no instante do amor se tornara Verde



Sérgio Ildefonso 12/10/2006

Copyright by Sérgio Ildefonso 2006 © Todos OS Direitos Reservados



ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Aonde estavam seus verdes olhos, que não viste as loucuras que cometeu...

Quem foi que pintou o oceano a sua volta em cor-de-rosa,

Porquê em seu jardim as rosas não tem espinhos...

Aonde você colocou as pedras que estavam em seus caminhos,

Porquê anestesiaste sua dor do parto,

Por acaso não vê os canalhas em sua volta...

Ame meu amor, mas sobretudo se ame,

Veja que o céu nem sempre é azul,

Que o mar nem sempre é calmaria,

Que por detrás das cinzentas nuvens, vem a ventania,

Morro em pensar em suas lágrimas,

A perfeição não existe aonde estamos,

Confie plenamente em todo mundo, desde que todo mundo seja você,

Infelizmente não estou ao seu lado todos os dias,

Mas a vejo perfeitamente emoldurada nas imagens que configuro em meu teto,

Quem me dera um beijo atravessasse distâncias,

Que me dera carícias lhe trouxessem confiança,

Vejo-me por teus olhos, olhos que brilham mais que a pura esmeralda,

Mostrar-te-ia todas as cores do inferno,

Contaria-lhe o que Balzac em breve lhe contará,

Sejas pura meu anjo,

Mas não para a vida...para o amor.



Sérgio Ildefonso Jan/2004





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“Muitos se apaixonam, poucos gostam,

e raros são os que amam com a intensidade que merece o amor”.

Sérgio Ildefonso


FERIDAS

DENTRO DE UM CONTEXTO DE UM AMOR VERDADEIRO,

AQUELA ESPÉCIE DE AMOR, EM QUE SE AMA POR INTEIRO,

ELEVO MEU AMOR, COMO A UM CANDEEIRO,

NA INÚTIL TENTATIVA DE TRAZER-TE LUZ,

POR INSTANTES DELIMITADOS EM PONTEIRO.





CORTA-ME A ALMA VER-TE FERIDA,

SINTO-ME PRESO COMO EM UMA ESTRIBA,

VER TUAS LÁGRIMAS CINGIR SEU LINDO ROSTO,

DOE-ME O ESPÍRITO VER TEU SEMBLANTE CORROÍDO EM DESGOSTO.





QUISERA EU POSSUIR PODERES PARA TRANSFORMAR TEU DESTINO,

MAS A INAÇÃO INVOLUNTÁRIA ME TORNA UM SIMPLES MENINO,

EM PRANTOS ROGO AO DIVINO PAI QUE LHE DE NOVOS CAMINHOS,

MAS SOMENTE PELA DOR DA ANGUSTIA APRENDERIAS TEU ENSINO.





PUDERA EU COLOCAR-ME EM TEU LUGAR,

AFLIGIR-ME, SUFOCAR-ME E DE DORES ME IMOLAR,

TRAZER TEUS DÉBITOS A MIM, E ASSIM TUA ALMA ALIVIAR,

MAS ANJO MEU...ESSAS PEDRAS SÃO TUAS, HEI DE CARREGAR.





SÃO MINHAS TUAS DORES,

SÃO MINHAS TUAS LÁGRIMAS,

DO ARCO - ÍRIS QUE VIVEMOS, JUNTOS COLOCAMOS AS CORES,

É JUSTO SOFRER POR TI, MINHA MENINA.





POIS ANTES DE AMÁ-LA COMO MULHER,

ANTES DE AMÁ-LA COMO AMIGA,

ANTES DE AMÁ-LA COMO AMANTE,

AMEI-TE COMO UMA ALMA,

E NA ENVERGADURA DA ALMA, UM CONSOLO ME APRAZ,

A CERTEZA QUE AO PASSAR TUDO ISSO...

NOVAMENTE TERÁS PAZ.




O SEGUNDO SOL

VI-ME EM MEIO AO FRIO,

REDEMOINHOS DE NEVE, ESFRIAVAM MINHA ALMA,

GÉLIDA EM CALAFRIOS,

OLHEI AOS CÉUS,

VI SURGIREM POR MEIO AOS MEUS OMBROS ASAS,

O ASTRO REI CINTILAVA EM UM BRILHO ETERNO,

ALCEI VÔO EM SUA DIREÇÃO,

NÃO PENSAVA NA ALTURA,

NÃO PENSAVA NA LOUCURA,

TINHA O SOL POR DESTINO,

A MEDIDA EM QUE APROXIMAVA-ME,

VIA A DENSA CAMADA DE GELO SE ESVAIR DE MEU CORPO,

E NA PROPORÇÃO DIRETA COM QUE ME APROXIMAVA, ELA DERRETIA-SE,

CHEGOU O MOMENTO EM QUE NÃO MAIS TINHA GELO AO MEU REDOR,

SOMENTE UM SUFOCANTE GELO INTERIOR,

MUITO MAIS FRIO,

MUITO MAIS PETRIFICADO,

E EM NADA ERA ABRANDADO,

A PROXIMIDADE COM O SOL,

NÃO O AQUECIA,

MINHA PELE JÁ ARDIA,

DIANTE DO CALOR INFERNAL,

E SE DESPRENDIA DO CORPO, COMO UMA CASCA SE DESPRENDE DE UMA MANGA,

MAS O SÓLIDO E DENSO FRIO INTERIOR PERMANECIA,

AO INSTANTE QUE VI MINHA PELE SE SOLTAR E MINHA CARNE ARDER EM CHAMAS,

MESMO ASSIM VOAVA,

MEUS OSSOS PULVERIZARAM-SE DIANTE DE TANTO CALOR,

MESMO MEU CORAÇÃO GÉLIDO E FRIO DERRETERA-SE,

NÃO COM MEUS OLHOS, MAS COM SENTIDOS QUE DESCONHEÇO,

VI-ME COMO UM IMENSO FEIXE DE LUZ, QUE RUMAVA AO SOL,

MAS A SENSAÇÃO FRIA E GÉLIDA ME PERSEGUIA,

AONDE, SE NADA DE MIM SOBRARA?

QUANDO OUVI UMA VOZ SUAVE, DENSA E FORTE:

FILHO MEU:

NÃO É TEU CORAÇÃO OU TUA MENTE QUE ESTÃO GÉLIDOS!

TUA PRÓPRIA ALMA TORNARA-SE ASSIM.

O ASTRO REI, FORA CRIADO POR MIM PARA AQUECER O TEU CORPO,

PARA TUA ALMA ENVIEI A TERRA MEU FILHO:

ELE AQUECERÁ TEU CORAÇÃO,

ELE É O SEGUNDO SOL.





Sergio Ildefonso Nov/2002



UMA TARDE A DEUS

OU

UMA TARDE E ADEUS...





Volto ao papel,

Simples, branco, com letras negras,

Aqui está o encanto e a magia da poesia,

Sem slides, sem músicas de fundo...O poeta não precisa disso,

Tento passar meus sentimentos por palavras, somente palavras.

Por palavras, simplesmente por palavras vivi uma vida essa tarde,

Por palavras senti que precisavas de mim,

Senti o vazio no teu peito, senti o teu peito,

E sem o menor respeito, tornei a invadir tua vida,

De forma nem um pouco sutil, mas muito atrevida,

Por palavras ouvi tua história,

Besteira...Tudo é vivo em minha memória,

Cada centímetro do teu abraço,

O recôncavo conforto de teus braços,

Os gemidos suaves do teu prazer,

Sem que percebesses anjo meu, pude te ver,

Na conseqüente inconseqüência de tudo poder,

Na inconseqüente conseqüência de novamente te ter,

De devassar teu corpo,

De devastar teus prazeres,

De ofuscar meu dever,

A maldição oferecida ao sol e a lua,

Ter que sair, quando entras,

E nunca encontrá-la,

Pelo pecado mortal de amá-la.

Hoje como em um eclipse a vi.

Sendo o sol e você a lua,

Diante de mim fizeste-se nua,

Acariciei todo o teu brilho como nunca o fizera!

Servi-me de ti como um faminto,

Saciei-me do corpo...Mas não minto,

De tua alma serei sempre um pedinte,

E dos desígnios de Deus... Clamo por um requinte.

De seres minha não somente por uma tarde...

Mas somente por toda a eternidade,

Deixarei de ser sol,

Deixarás de ser lua,

Serás parte de mim,

Serei parte de ti.

Obrigado minha pétala, minha flor, meu amor.



Sérgio Ildefonso Dez/2002



Como é que se diz eu te amo

De que maneira poderia dizer que te amo ?

Qual a forma perfeita e incondizente de dizê-lo,

Como expressar um sentimento sem em parte retê-lo,

Por essa dúvida, aos espíritos eu clamo.



Dizer-te simplesmente, não resolveria,

Seriam palavras, vocábulos lançados ao vento,

Todas as bocas podem dizer, mas não expressariam tão grande sentimento ,

Seria como uma prece, inóspita, vazia, assim não quereria,



Poderia te mandar flores,

Mas acho que nem todas as rosas do mundo demonstrariam,

Nem os lírios , petúnias, azaléias, de todas as cores,

Denotariam a expressão mais complexa dos amores.



Poderia te dar os céus, com seus astros e estrelas,

Mesmo assim não figuraria meu incomensurável momento,

As profundezas do oceano, e suas pérolas, corais e vidas,

Não serviriam para desenhar as infinitas linhas do meu sentimento.



Amor, paixão, desejo, loucura,

Faltam palavras em nosso vernáculo,

Poder exprimir o teor de sua doçura,

Para retratar toda sua ternura.



Como posso dizer que te amo ?

Se não existem palavras,

Se não existem formas, continuarei pensando,

Enquanto isso sigo,

Simplesmente te amando.







Sérgio Ildefonso - Junho/2001

3 Comentários:

  • Martita: Grata pela homenagem ao nosso poeta Sergio Ildefonso!!!

    Sergio: Amado Amigo e Poeta, suas palavras sempre me comoveram! Ler seus textos é sentir um bálsamo em meu Ser.

    Beijos e abraços,
    Flor de Lótus Azul
    Gota Azul
    Débora Malucelli

    Por Blogger Débora Malucelli, às 3 de maio de 2008 11:28  

  • Amiga voce e luz para os novos talentos, beijos em seu coração. Eliza Gregio

    Por Blogger Eliza Gregio, às 1 de junho de 2008 18:55  

  • Oi Amiga Poetisa Marta!!!
    Oassei por aqui para me divertir e alegrar meus olhos e coração..com tantas poesias maravilhosas...bjocas..
    Aparece lá no meu blog...que tens novidades...e acho que vais gostar..beijos fraternos!!!
    Graciela
    Fada Azul

    Por Blogger Graciela Leães Alvares da Cunha, às 4 de junho de 2008 13:40  

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