.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

No Campo Santo




















No Campo Santo

Sua natureza selvagem e indomada
gritava enlouquecida, cabeleira da cor do sol
solta ao vento, ela corria pisando terra molhada,
grama orvalhada, dizia aos gritos: quero dormir,
dormir, dormir e dormir, não acordar mais
ou então, num outro mundo colorido despertar
do sono de décadas e décadas,
ao lado do meu doce bem...

Não é este o meu mundo, não, não é mais meu,
não o quero, então, porquê...porquê acordar aqui!
Quero acordar num outro, distante,
não quero lembrar o que fui e o que fiz.

Corria, corria, pelas avenidas floridas,
corria tendo na mão uma rosa,
corria e dos seus olhos corriam lágrimas.

A pobre não se sentia socorrida, coração
aos saltos, queimando, desesperava-se cada
vez mais e mais entendendo a situação,
sua insônia desvendava o que os olhos
teimavam encobrir. Não a viam, nem ouviam.

Tentava pegar o ar com as mãos como
se estivesse apanhando borboletas, tentava
falar com um e com outro, não a ouviam
nem a viam, passavam por ela deixando-a
ali na nova morada.

Cansada, senta-se debaixo de frondosa árvore,
sentia-se suja pelo que fizera, página branca
dentro das muralhas, com as mãos, cobria
os olhos, não queria ver nem ouvir as vozes.

Ah, esperança, doce esperança, esperança
vã que permite apenas sonhar por dentro
de palavras soltas ao vento, esperança inútil
que fugiu como foge a fumaça do cigarro,
esperança que queima a alma, brilha no ar
como o punhal da própria morte!

Marta Peres

Marcadores:

3 Comentários:

  • "A vida fica mais fácil
    se olharmos com os olhos do coração".

    Marta Peres.

    Vim visitar o blog.
    Abração,
    Ci.

    Por Blogger Reviragita Poesia, às 12 de dezembro de 2011 13:17  

  • Marta,
    vim deixar-lhe minha mensagem
    de final de ano.
    Que em 2012 suas inspirações
    floresçam ainda mais.

    Boas Festas!!!
    ♫ ♫ ♫

    O tempo
    pode levar muitas coisas,
    mas a alma
    o tempo não arrebata.
    Nem em fúria,
    nem na mais plena paz.
    Dores, prantos, desencantos,
    são na verdade procuras.
    E quem procura acha.
    Mas entre o ontem e o agora,
    tudo passa.
    Melancolias, nostalgias,
    são apenas particularidades
    que até sem perceber
    adquirimos.
    Embalam tristezas,
    produzem feridas,
    mas podemos fabricar mel
    como as abelhas
    apesar de nossas incoerências.
    Sorrisos,
    são como fogos de artifícios,
    multicoloridos
    e se espalham no ar.
    Basta explodir e constatar.
    A lua,

    as estrelas...
    ★ ☆ ★ ☆ ★
    Veja como são pequenas.
    Entretanto,
    se em vez de nos atermos ao chão,
    dirigirmos o olhar ao alto,
    captamos suas essências.
    Agora imagine,
    e se Deus resolvesse apagá-las?
    Elas nos vêem como as vemos,
    mas sem brilhos.
    Então não se apague.
    A questão é que milagres
    só nós mesmos podemos realizar.
    Leve esses fluídos pra 2012.
    E Feliz Natal!!!

    Cecília Fidelli.
    - www.ceciliafidelli.blogspot.com
    e
    - cimaneski-poeta.

    Muita paz e muita poesia em sua vida!

    Por Blogger Reviragita Poesia, às 12 de dezembro de 2011 13:20  

  • QUERIDA AMIGA MARTA PERES...
    VIM VISITAR O SEU LINDO BLOG
    E DESEJAR UM NOVO ANO
    CHEIO DE PAZ E REALIZAÇÃO!
    AMADA MESTRA E LINDA POETISA
    VOCÊ MORA NO MEU CORAÇÃO!
    UM ABRAÇO!!

    Por Blogger hortencialopes, às 8 de janeiro de 2012 02:22  

Postar um comentário

<< Home