.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Homenagem à Poetisa Cláudia Gonçalves


Cláudia Gonçalves, nossa querida Cacau!

Cacau manifesta em seus versos expressiva emoção e sentimento. Andarilha da poesia
vai caminhando, respirando versos, vai caminhando e prestando inestimável serviço às letras. Rara sensibilidade mostra que a poesia não conhece o tempo,e bem por isso não morre nunca.
Sua maestria e arte impressionam, leva na alma e no coração de Poeta a inspiração de compor. Sua grande vibração conduz a poesia ao cristal transparente da forma,dádiva reservada aos gênios, ofereciada a ela pelo Mestre dos Mestres!
Parabéns Cláudinha!
Admiro você Poeta dos Pampas!


Cláudia Gonçalves

Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil
Sou como as águas dos rios, a natureza me leva ao encontro de algo grandioso... Talvez uma cachoeira, queda livre ao sabor do vento, talvez um túnel, submerso num mundo ainda não explorado... Talvez um outro rio, abrigo das minhas andanças, talvez ao encontro do mar, do mar de emoção que há em mim.

Floral

te trago cheiros
aroma de Flores
jasmim, cravo
rosa, lírio,
margaridas...
pincelada de paixão

ao ultrapassar
a fronteira do abraço
palavras voam
em bandos...

tangido no tecido pele
o nervo se contrai

buscando em cada eco
matizado de arco-íris
som de rouxinóis
amarelo malva

em luz rubro-fogo
brotam girassóis

Cláudia Gonçalves



Hipótese

bem que poderia
a noite livrar-se
das lentes escuras

e você me ver passar
no meio da multidão
só pra falar poesia

bem que poderia
do bolso da madrugada
sair um verso

luz sobre o breu
um poema só pra gente
universo meu e seu

Cláudia Gonçalves




Lapso

meados
de um
dia branco

dos poros
da alma
exala
poesia

alterando
calendários

Cláudia Gonçalves





Noite

Salgado silêncio
pintado de breu

andando
de rua em lua
buscando a cor
na derme do escuro

um mergulho vermelho
no túnel da boca

um coral
de palavras loucas
entorpecendo
...cantando
em labaredas

beijos
que inflamam
aquecem
transpiram
e calam

Cláudia Gonçalves




Mutação



congelei a lágrima
deixando
escorrer o mel

bebi
nas curvas
do tempo

-um néctar de céu-

do pó
recomeço
do fel
guardarei o doce

ébria ou sóbria
vejo a dor
-diluída em versos-

Cláudia Gonçalves



Fases

a
...lua
..........minguante
...........................de
.................................tédio

ficou
.........cheia
...................de
........................razão

subiu
..........no
...............salto

numa
..........crescente

..........................vida
.................................nova

Cláudia Gonçalves


Fênix

vazio em ecos
descortinado sentido
sonho renasce
...retalhos

pássaros em cores
num vôo sonoro
de alma livre

cirandando a luz
de pirilampos
um denso desfiar
de emoções

Cláudia Gonçalves




pa_lavra

na
lavra
do
pensamento
a
larva
da
palavra
cava
o
torto
verso
meu

Cláudia Gonçalves





Do calar

às
vezes
basta
ouvir
o
silêncio

e
tudo
muda
de
lugar

na
esquina
do
calar

foi
ali
que
nos
perdemos

Cláudia Gonçalves


Beijo guardado

No cais da boca
guardei seu beijo
pode abrir a janela
a paisagem é cristalina

é só uma gota de orvalho
neblina que vira verso
deixa chegar à retina

outra vez o sol ilumina
o dia que nasce azul

Cláudia Gonçalves


Distração

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

contando estrelas
talvez...

quase meia-noite
a lua prata
avisou-me
e não...
não escutei

quase meia-noite
onde estava
que não embarquei

se o bonde passou
deixei... sobrei
parti-me de ti
sonhei as horas
que perdi

quase meia-noite
...desisti

Cláudia Gonçalves





Preciosidade

no
baú
dos
meus
encantos
te
guardei
nele
te
trago
te
leio
te
verso
e
parto
pro
meu
porto

Cláudia Gonçalves







Insone

Noite embala
suave melancolia
enquanto o silêncio
zomba em gotas

pálpebra
cristalizada
tomba exausta
mas o porto é insone

o pensamento voa
e brota o desejo
de com palavras bordar
e um poema esculpir
invadir o silêncio
e a insônia banir

Cláudia Gonçalves

banirei a insônia
pra invadir o silêncio
e ao esculpir o Poema
bordarei palavras
brotadas do desejo

deixarei propositalmente
o pensamento voar
neste porto insone

exausto vejo tombar
em cristais,
pálpebras
zombeteiras em gotas
de silêncio
porque suave
e melancolicamente
quero rimar no embalo
a noite linda!

Marçal Filho

1 Comentários:

  • Cláudia Gonçalves, você para mim, é uma força da natureza muito particular e especial, é como um rio, que não pode viver sem encontrar o seu próprio mar para abraçar, Sinto-me de braços abertos como um mar, esperando as águas dos rios chegarem ao meu encontro, fazendo meu coração STRONDAR de alegria.
    wladimir.S.Pintp

    Por Blogger Museu do Surf, às 12 de setembro de 2011 13:52  

Postar um comentário

<< Home